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Rendimentos de profissões ligadas à Matemática equivalem a 4,6% do PIB

Pesquisa também mostra que salários desses profissionais são 119% maiores que a média dos demais trabalhadores

Publicado em 20/02/2024

Atualizado às 14:20 de 21/02/2024

O rendimento dos profissionais que atuam em áreas ligadas à Matemática equivalem a 4,6% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Esse é um dos resultados do estudo “Contribuição da Matemática para a economia brasileira” realizado pelo Itaú Social a partir de uma articulação com o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada).

A pesquisa inédita no Brasil aponta que tais ocupações oferecem salários 119% maiores que a média dos demais trabalhadores. No terceiro trimestre de 2023, o rendimento médio dessas profissões foi de R$3.520, mais que o dobro do valor médio das demais categorias, que alcançaram R$1.607 no período. 

A superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, diz que os dados da pesquisa evidenciam o quanto é importante o investimento em educação matemática de qualidade. “Não estamos falando apenas do desempenho dos estudantes nas avaliações educacionais, mas de melhores oportunidades profissionais”. Em sua visão, o estudo é um indicador das potencialidades oferecidas pela disciplina, ensinada desde a Educação Básica, e sua influência no futuro desses jovens. 

“O levantamento traz dados concretos para sensibilizar cada vez mais o poder público, setor produtivo e sociedade de forma ampla sobre a relevância da matemática para o desenvolvimento de um país. Os dados mostram o quanto perdemos enquanto sociedade se naturalizamos o baixo desempenho de nossos estudantes na matemática, e se mantemos a crença de que a matemática é apenas para alguns poucos. O estudo reforça como podemos também avançar na redução das desigualdades, na medida em que o país investir mais e melhor no ensino da matemática, com recursos e abordagens que desenvolvam confiança e competência nessa área de conhecimento para cada e todo estudante”.

Importância da Matemática
A pesquisa mostra que o percentual de trabalhadores ligados à Matemática no Brasil (7,4%) é mais baixo em relação aos países europeus (10%). No Brasil, as ocupações da Matemática estão mais concentradas nas áreas de serviços administrativos e de tecnologia da informação do que em áreas mais tradicionalmente ligadas à inovação e desenvolvimento tecnológico, como engenharia e pesquisa, a exemplo do que ocorre no continente Europeu.

Entre as principais atividades que empregam trabalhadores ligados à Matemática no Brasil estão:
- Áreas de tecnologia da informação;
- Serviços financeiros;
- Serviços jurídicos e contábeis;
- Atividades ligadas à arquitetura e engenharia.

Outro fator que chama a atenção é a predominância de trabalhadores contratados por meio de acordos formais, contingente que corresponde a 84% do total entre aqueles que ocupam funções ligadas à Matemática. Esse índice é significativo quando comparado à média da economia brasileira, que registra aproximadamente 67% de trabalhadores no mercado formal, conforme os dados da PNADC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do terceiro trimestre de 2023.

Escolarização
Os dados sobre a alta escolarização dos trabalhadores na área da Matemática são elementos que auxiliam a compreensão do índice de formalidade ou a estabilidade desses empregos em momentos de crise. Segundo a pesquisa, indivíduos com maior nível de escolarização tendem a ser menos vulneráveis à eventual substituição, pois ocupam cargos que demandam maior especialização.

Desigualdades
As desigualdades de raça/cor e gênero são reforçadas nas ocupações da Matemática, uma vez que essas profissões têm uma participação maior de pessoas brancas (66%) e de homens (69%) do que a média das demais atividades no país. Mesmo assim, a proporção de pessoas negras (pretas e pardas) e de mulheres, entre 2012 e 2023, tiveram um ligeiro aumento de 33% para 36% e de 28% para 31%, respectivamente.

Faixa-etária
Quanto à idade média dos trabalhadores vinculados à Matemática, a análise mostra que o índice oscilou entre 36,9 e 38,6 anos, com leve tendência de aumento ao longo do tempo. Para efeito de comparação, a idade média do trabalhador brasileiro no primeiro trimestre de 2023 era de 39,3 anos, o que indica que os profissionais envolvidos em atividades matemáticas são um pouco mais jovens que a média nacional.

O contingente de profissionais com habilidades matemáticas por faixa etária cresceu, especialmente, entre os trabalhadores de 22 a 46 anos, no período de 2016 e 2023. No primeiro trimestre de 2023, 80% das pessoas que atuavam em ocupações matemáticas tinham menos de 48 anos.

Divisão regional
A maioria dos trabalhadores relacionados à Matemática está localizada nas regiões Sudeste e Sul. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná abrigam mais da metade desses profissionais. 

Metodologia
A avaliação observou dados dos últimos dez anos (entre 2012 e 2023) e foi realizada a partir de metodologia proposta em uma pesquisa sobre o impacto da disciplina na economia francesa, conduzido pelo CNRS, na sigla em francês, (Centro Nacional de Pesquisa Científica), adaptada às características do mercado nacional. 

A pesquisa ocorrida no Brasil propôs uma discussão sobre as potenciais contribuições das atividades ligadas à Matemática para a economia do país, abordando aspectos relacionados à escolaridade, raça/cor, idade e gênero.

O estudo utilizou os dados da PNADC para avaliar o número de trabalhadores de habilidades em Matemática e suas remunerações associadas a essas atividades. O cálculo da contribuição para o PIB foi considerado a partir da soma de todos os rendimentos do trabalho no país provenientes de ocupações que demandam maior intensidade de capacidades matemáticas.

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